A votação do relatório final da Subcomissão Especial da Câmara dos Deputados sobre Mídia Alternativa, prevista para esta quarta-feira (30), foi adiada, a pedido dos deputados Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e Jorge Bittar (PT-RJ). A relatora da subcomissão, deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), propõe uma série de projetos de lei com o objetivo de tornar economicamente viável a atuação dos órgãos de mídia independente no Brasil.
Para Luciana Santos, a pluralidade de opiniões do povo não está refletida nos meios de comunicação.
O professor da Universidade de Brasília (UnB), Venício Lima apoia o relatório, pois, segundo ele, o Estado deve intervir sempre que a pluralidade não estiver refletida nos meios de comunicação. "As medidas propostas estão em sintonia com o que se faz nas maiores democracias do mundo", observou.
Ele ressaltou que as medidas são insuficientes para democratizar as comunicações no Brasil e destacou a necessidade de o Poder Legislativo aprovar um novo marco legal para o setor e regulamentar os dispositivos constitucionais referentes às comunicações. A Constituição prevê, por exemplo, que os sistemas de comunicação público, privado e estatal devam ser complementares.
Para Luciana Santos, o atual sistema de mídia carece de representatividade, pois a pluralidade de opiniões do povo brasileiro não está refletida nos meios de comunicação. "Existem, no Brasil, poucas normas específicas para o controle à concentração de propriedade na mídia", completou.
Ações propostas
Entre as ações propostas, está a criação de fundos específicos para financiar o setor, além de projeto obrigando o governo federal a destinar parte das verbas de publicidade oficial a esses veículos. Há ainda projetos para permitir publicidade em emissoras comunitárias e educativas.
Outra proposta permite a dedução no Imposto de Renda de parcelas de valores aplicados em projetos no apoio veículos de mídia independente. "É como se fosse a Lei Rouanet dos meios de comunicação", explicou Luciana.
Segundo ela, a categoria de mídia alternativa, ou independente, como é também chamada, abarca emissoras de rádio e TV comunitárias e educativas; produtoras brasileiras regionais independentes; veículos de comunicação de pequeno porte; além de alguns canais de programação de distribuição obrigatória transmitidos por meio da televisão por assinatura.
A subcomissão funciona no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática desde dezembro de 2011, para analisar formas de financiamento da mídia alternativa, com o objetivo de democratizar as comunicações brasileiras.
Da Redação em Brasília
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