apoio cultural poderá ser realizado por entidades de direito privado e de direito público.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ADRIANE LORENZON lança livro sobre Rádios Comunitárias.

A obra Poder Local No Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil é o resultado de pesquisa para o mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília. A autora, Adriane Lorenzon, é radialista, jornalista e professora e viajou à Bahia para realizar um estudo de caso na Rádio Comunitária Educativa Elos FM, em Itabuna.
Adriane Lorenzon trabalhou em diversas emissoras brasileiras, com maior destaque e mais recentemente nas rádios Câmara FM e Cultura FM, no DF e,
Unijuí FM, no RS. É professora universitária e atua como profissional multimídia prestando serviço para diversas entidades como Fundação Banco do Brasil, Abravídeo, Cáritas Brasileira, Ministério Público do DF, Procuradoria Geral da República, Embaixadas e emissoras de rádio.
A radiodifusão comunitária é assunto crescente junto aos movimentos sociais e demais entidades da sociedade civil envolvidos na luta pela democratização do acesso à comunicação no Brasil.
Por entender a relevância e a necessidade de aprofundar o estudo desse tema, verifica-se em Poder Local No Ar, a viabilidade de municipalizar os serviços de radiodifusão comunitária no País. Analisa-se como a municipalização das rádios comunitárias pode contribuir para democratizar e fortalecer a esfera pública municipal. Além disso, examina-se a possibilidade de tornar o Município o local determinante da política de comunicação comunitária e transferir para esse ente da Federação a outorga dos serviços que regulamentam as rádios comunitárias.
Foi realizado um estudo de caso na Rádio Comunitária Educativa Elos FM, instalada em uma escola municipal, do bairro Ferradas, em Itabuna, Bahia, a partir da seguinte hipótese: a municipalização da radiodifusão comunitária, por meio da criação da lei da radiodifusão comunitária local e do seu efetivo cumprimento, levará à maior participação dos cidadãos na radiodifusão e ao fortalecimento da esfera pública local.
A municipalização da lei da radiodifusão comunitária em Itabuna e a instalação da rádio em Ferradas contribuíram para fortalecer a esfera pública local, apesar dos níveis baixos de participação.

Embora a experiência analisada apresente limites, a pesquisa evidencia o potencial da municipalização das outorgas de rádios comunitárias para aproximar as comunidades das políticas de comunicação, oferecendo novas oportunidades de democratização.

PODER LOCAL NO AR: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil, 92 páginas.

Autora: Adriane Lorenzon

Editora: Abravídeo R$ 15,00

Lançamento: Café Cultural Caixa/Senac, Setor Bancário Sul, Trecho 4, Lotes ¾ (atrás do Banco Central)
Data: 17.3.2009
Horário: 19h30
CONTATOS: autora – (61) 8149 1409 // editora – (61) 3349 5656
adrianeprofessora@gmail.com // http://www.abravideo.org.br/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

No Rio,, Bope passa a fazer parte de ações para fechamento de rádios comunitárias

Juliano Domingues - Radioagência NP 17.02.2009

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) agora atua na caça às rádios comunitárias. O grupo policial fechou cinco rádios comunitárias que atuavam na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O Bope deve ajudar ainda no fechamento de pelo menos mais 200 rádios comunitárias. A alegação novamente dada para o fechamento foi a de que a freqüência de atuação das rádios atrapalhava a comunicação de aeronaves.
A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) declara que o argumento é falho porque as rádios sequer atuam na mesma faixa de freqüência utilizada pelas aeronaves. A alegação da interferência também é utilizada para fechar as rádios que estão distantes dos aeroportos.
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 122 que descriminaliza o exercimento da radiodifusão sem autorização. A infração sai do âmbito criminal e passa para o administrativo, sujeito a multas.
O integrante da Abraço, José Sóter, afirma que isso é positivo, mas que rádios comerciais e comunitárias sem autorização têm que ter tratamento diferente. “As rádios comerciais têm a informação como um produto a ser vendido, e as comunitárias têm a informação como um elemento de formação da cidadania. Então isso exige tratamentos completamente diferenciados.”Sóter afirma que caso as multas para as comunitárias sejam muito altas, isso pode inviabilizar o funcionamento das mesmas, diferente do que pode acontecer com as comerciais.A Abraço denuncia que o projeto ainda não resolve a questão da inoperância do Estado para com os pedidos de outorga que se arrastam por anos no Ministério das Comunicações, fato responsável pela situação de ilegalidade das rádios comunitárias. Das mais de 18 mil pedidos de regularização recebidos pelo ministério, em 11 anos, foram autorizados pouco mais de 3 mil.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Movimentos Sociais entregam carta de reivindicações durante reunião

Sex, 28 de Nov de 2008
From: Imprensa Via Campesina Brasil

NOTA À IMPRENSA

Movimentos Sociais do campo e da cidade entregam nesta tarde (26/11)uma carta ao Governo Lula contendo preocupações e propostas sobresituação social e econômica do país.
O documento, assinado por cercade 60 entidades, foi articulado mediante reunião convocada pelaSecretaria-Geral da Presidência da República entre o Presidente Lula eMovimentos Sociais e ONGs.A reunião acontece desde às 15h de hoje no Palácio do Planalto comministros Luiz Dulci (Secretaria Geral), Dilma Roussef (Casa Civil) eGuido Mantega (Fazenda).
Veja a carta em anexo.
Informações à imprensa:Maria Mello: (61) 8464 6176Presidente Lula,Cumprimentamos o Governo Federal pela iniciativa de ouvir osmovimentos sociais e sindicais, populares, pastorais sociais eentidades que atuamos organizando nosso povo, diante do grave quadrode crise que já se faz sentir, e que - tudo leva a crer - seaprofundará sobre nossa economia, nossa sociedade e em especial sobreo povo brasileiro.
Queremos aproveitar essa oportunidade para manifestar nossas propostasconcretas que o Governo Federal deve tomar para preservar, sobretudo,os interesses do povo, e não apenas das empresas e do lucro docapital. O conjunto dessas propostas se insere no espírito geral, de quedevemos aproveitar a brecha da crise para mudar a políticamacroeconômica de natureza neoliberal, e ir construindo um novo modelode desenvolvimento nacional, baseado em outros parâmetros, sobretudona distribuição de renda, na geração de emprego e no fortalecimento domercado interno.Nossa preocupação fundamental é aproveitar para que nessa mudança selogrem medidas concretas que visem melhorar as condições de vida denosso povo, garantindo os direitos à educação pública, gratuita,democrática e de qualidade em todos níveis, à moradia digna, ao acessoà cultura e às reformas urbana e agrária.Infelizmente, a maioria do nosso povo não tem acesso a esses direitosbásicos. Sabemos que poderosos interesses dos capitalistas locais,das empresas transnacionais e, sobretudo do sistema financeiro,concentra cada vez mais riqueza, renda, e impedem que nosso povousufrua da riqueza por ele produzida.
Já estamos cansados de tanta dominação capitalista, e agora assistimosàs crises financeiras e à ofensiva dos interesses do império quecontrola as riquezas naturais, minerais, a água, as sementes, opetróleo, a energia e o resultado de nosso trabalho.Diante disso, queremos apresentar-lhe algumas propostas concretas paraque possamos resolver, de fato, os problemas do povo, e impedir que denovo as grandes empresas transnacionais e os bancos transfiram para opovo o custo da crise:Propostas de articulações internacionais:
1. Defendemos como resposta à crise o fortalecimento da estratégiade integração regional, que se materializa a partir dos mecanismoscomo: MERCOSUL, UNASUL e ALBA.
2. Apoiamos medidas como a substituição do dólar nas transaçõescomerciais por moedas locais, como recentemente fizeram Brasil eArgentina, e sugerimos que esta medida deva ser adotada pelo conjuntodos paises da América Latina.
3. Defendemos a consolidação o mais rápido possível do BANCO DOSUL, como um agente que promova o desenvolvimento regional e queauxilie o crescimento do mercado interno entre os paises da AméricaLatina e como um mecanismo de controle de nossas reservas, paraimpedir a especulação dos bancos, do FMI, e dos interesses do capitaldos Estados Unidos.
4. Nós afirmamos que a atual crise econômica e financeira é deresponsabilidade dos países centrais e dos organismos dirigidos poreles, como a OMC, o Banco Mundial e o FMI. Defendemos uma nova ordeminternacional, que respeite a soberania dos povos e nações.
5. Pedimos vosso empenho e compromisso pela retirada imediata detodas as forças estrangeiras do Haiti. Nenhum país da América Latinadeve ter bases e presença militar estrangeira. Propomos, em seulugar, a constituição de um fundo internacional solidário parareconstrução econômica e social daquele país. Apresentamos tambémnossa oposição à reativação da Quarta Frota da Marinha de Guerra dosEstados Unidos em águas da América Latina.PROPOSTAS DE POLITICAS INTERNAS1. Controlar e reduzir imediatamente as taxas de juros.
2. Impor um rigoroso controle da movimentação do capital financeiroespeculativo, instituindo quarentenas e impedindo o livre circular,penalizando com elevados impostos suas ganâncias.
3. Defendemos que todos os governos devem utilizar as riquezasnaturais, da energia, do petróleo, dos minérios, para criar fundossolidários para investir na solução definitiva dos problemas do povo,como direito ao emprego, educação, terra e moradia. Para isso, ogoverno brasileiro precisa cancelar imediatamente o novo leilão dopetróleo, marcado para dia 18 de dezembro.
4. O governo federal deve revisar a política de manutenção dosuperávit primário, que é uma velha e desgastada orientação do FMI -um dos responsáveis pela crise econômica internacional. E devemos usaros recursos do superávit primário para fazer volumosos investimentosgovernamentais, na construção de transporte publico e de moradiaspopulares para a baixa renda, dando assim uma grande valorização àreforma urbana e agrária, incentivando a produção de alimentos pelaagricultura familiar e camponesa. É preciso investimentos maciços, naconstrução de escolas, contratação de professores para universalizar oacesso à educação de nossos jovens, em todos os níveis, em escolaspúblicas, gratuitas e de qualidade.
5. Defendemos que o governo estabeleça metas para a abertura denovos postos de empregos, a partir de um amplo programa de incentivo àgeração de empregos formais, em especial entre os jovens. Reajustarimediatamente o salário mínimo e os benefícios da previdência social,como principal forma de distribuição de renda entre os mais pobres.
6. Controlar os preços dos produtos agrícolas pagos aos pequenosagricultores, implantando um massivo programa de garantia de compra dealimentos, através da CONAB. Hoje, as empresas transnacionais quecontrolam o comércio agrícola estão penalizando os agricultores,reduzindo em 30%, em média os preços pagos do leite, do milho, dossuínos e das aves. Mas, no supermercado, o preço continua subindo.
7. Revogar a Lei Kandir e voltar a ter imposto sobre as exportaçõesde matérias primas agrícolas e minerais, para que a população não sejamais penalizada, para estimular sua exportação.
8. O governo federal não pode usar dinheiro público para subsidiare ajudar a salvar os bancos e empresas especuladoras, que sempreganharam muito dinheiro e agora, na crise querem transferir seu ônuspara toda sociedade. Quem sempre defendeu o mercado como seu"deus-regulador" , agora que assuma as conseqüências dele. Nessesentido os bancos públicos (BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco doBrasil) deveriam estar orientados não para socorrer o grande capital esim para o benefício de todos os povos.
9. Reduzir a jornada de trabalho, em todo o país e em todos ossetores, sem redução de salário, como uma das formas de aumentar asvagas. E penalizar duramente as empresas que estão demitindo.
10. A mídia permanece concentrada nas mãos de poucos gruposeconômicos. Este quadro reforça a difusão de um pensamento único queprivilegia o lucro em detrimento das pessoas e exclui a visão dossegmentos sociais e de suas organizações do debate publico. Parareverter esta situação e colocar a mídia a serviço da sociedade, épreciso ampliar o controle da população sobre as concessões de rádio eTV, fortalecer a comunicação pública e garantir condições para ofuncionamento das rádios comunitárias, acabando com a repressão sobreelas. Por tudo isso, é urgente que o governo federal convoque aConferencia Nacional de Comunicação.
11. Para garantir os territórios e a integridade física e culturaldos povos indígenas e quilombolas como determina a Constituição, o Governo Federal deve continuar demarcando as terras e efetivando adesintrusão desses territórios em todo o país, sem ceder às crescentespressões dos setores antiindígenas – tanto políticos, como econômicos.Na luta por seus direitos territoriais, os povos indígenas equilombolas têm enfrentado a violência e a discriminação cada vez maisforte em todo o país. Chamamos especial atenção, nesse momento, para aurgência de se demarcar as terras tradicionais do povo indígenaGuarani Kaiowá que vive no Mato Grosso do Sul. Atualmente, eles estãoconfinados em ínfímas porções de terra e, principalmente por causadisso, há um alto índice de suicídios entre o povo.
12. Realizar a auditoria integral da dívida pública para lançar asbases técnicas e jurídicas para a renegociação soberana do seumontante e do seu pagamento, considerando as dívidas histórica, sociale ambiental das quais o povo trabalhador é credor.13. Defendemos uma reforma política que amplie os espaços departicipação do povo nas decisões políticas. Uma reforma não apenaseleitoral, mas que amplie os instrumentos de democracia direta eparticipativa.
14. Em tempos de crise, há uma investida predatória sobre osrecursos naturais como forma de acumulação fácil e rápida, por issonão podemos aceitar as propostas irresponsáveis de mudanças nalegislação ambiental por parte dos representantes do agronegócio, quepretende reduzir as áreas de reservas legais na Amazônia e as áreas deencosta, topo de morros e várzeas no que resta da Mata Atlântica.Propomos a criação de uma política de preservação e recuperação dosbiomas brasileiros.15. Contra a criminalizacao da pobreza e dos movimentos sociais.Pelo fim da violência e pelo livre direito de manifestação dos quelutam em defesa dos direitos econômicos, sociais e culturais dospovos.Esperamos que o governo ajude a desencadear um amplo processo dedebate na sociedade, em todos os segmentos sociais, para que o povobrasileiro perceba a gravidade da crise, se mobilize e lute pormudanças.
Atenciosamente, Via Campesina Assembléia Popular – AP Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS Grito dos Excluídos ContinentalGrito dos Excluídos BrasilAssociação Nacional de Ong's – ABONG Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MSTCentral Única dos Trabalhadores – CUT União Nacional dos Estudantes – UNE Marcha Mundial de Mulheres – MMM Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTBCentral de Movimentos Populares – CMP Associação Brasileira de Imprensa – ABI Confederação das Associações das Associações de Moradores – CONAMCaritas BrasileiraCNBB/Pastorais SociaisComissão Pastoral da Terra – CPTConselho Indigenista Missionário – CIMI Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB Movimento das Mulheres Camponesas – MMC União Brasileira de Mulheres – UBM Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD Movimento Trabalhadores Sem Teto – MTST União Nacional Moradia Popular – UNMP Confederação Nacional das Associações de Moradores – CONAM Movimento Nacional de Luta por Moradia – MNLM Ação Cidadania Conselho Brasileiro de Solidariedade com Povos que Lutam pela Paz – CEBRAPAZ Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO Coletivo Brasil de Comunicação – INTERVOZESRede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais Jubileu Sul Brasil Movimento pela Libertação dos Sem Terras – MLST União Estudantes Secundaristas – UBES União Juventude Socialista – UJS Evangélicos pela Justiça – EPJ União nacional de Entidades Negras – UNEGRO Federação Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB Pastoral da Juventude do Meio Rural – PJR Associação dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD Confederação Nacional Trabalhadores Entidades de Ensino – CONTEE Confederação Nacional Trabalhadores da Educação – CNTE Confederação Nacional do Ramo Químico – CNQ/CUTFederação Única dos Petroleiros – FUP Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas – SINTAP/CUT Associação Nacional de Pós-graduandos – ANPGConfederação Nacional dos Metalúrgicos – CNM/CUTMovimento Camponês Popular – MCPCoordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB Conselho Indigenista de Roraima – CIR Federação Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade Instituto Nacional Estudos Sócio-econômicos - INESC
abraço.

José Sóter
Coordenador Executivo Abraço Nacional

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Entidades propõem tema para Conferência de Comunicação .

Por Lúcia Berbert
10 de fevereiro de 2009


Entidades que compõem a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicações entregaram ao consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, proposta de tema central para o evento, composição da comissão organizadora e de calendário. "As sugestões serão examinadas, mas a decisão sobre essas questões somente serão tomadas depois da publicação do decreto de convocação da conferência", disse.
Bechara adiantou que o Minicom encaminhará, ainda esta semana, a minuta do decreto ao Planalto. O tema, cronograma e comissão organizadora serão definidas em portaria, que será publicada após a convocação.

O tema proposto pelas entidades é 1ª Conferência Nacional de Comunicações: meios para a construção de direitos e cidadania. E a comissão organizadora, propõem, deve ser formada por quatro representantes do Executivo; 04 do Legislativo; um do Judiciário; 01 do Ministério Público da União; 05 empresários; 07 , de entidades não-empresariais específicas da comunicação; 05 usuários ou representantes de movimentos sociais; 02 da mídia pública e 01 da academia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conferência Nacional de Comunicação começa a ser delineada .

08/02/2009 Candice Cresqui*
FNDC

Começa a tomar forma a primeira Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica dos movimentos pela democratização da comunicação. Na última sexta-feira (6), a Comissão Nacional Pró-Conferência deliberou quais entidades serão indicadas para integrar a organização do evento. Entre elas está o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), um dos principais atores na mobilização pela Conferência. a nominata será apresentada na próxima terça-feira (10) em reunião com o Ministério das Comunicações (Minicom).
Além do FNDC serão indicados o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitárias (Abraço), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Coletivo Intervozes de Comunicação, a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão e Televisão (Fitert) e o Movimento Negro Unificado, entre outras entidades. A Comissão irá sugerir como tema central para o debate na Conferência a idéia de que “as comunicações são meios para a construção dos direitos e da cidadania”.

A realização da Conferência está prevista para os dias primeiro, dois e três de dezembro de 2009. As fases municipais serão feitas até 22 de junho e as etapas estaduais de 30 de junho a 15 de setembro. Até outubro serão sistematizadas as propostas. O Executivo comprometeu-se em publicar ainda neste mês o decreto convocando a Conferência e a portaria que designará a Comissão Organizadora. A data escolhida para a Conferência refere-se ao Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação, realizado no ano passado, e aos dois anos de implantação das TVs Pública e Digital no Brasil.
A definição do cronograma foi feita na última terça-feira (3) quando representantes da Comissão Nacional Pró-Conferência reuniram-se com André Barbosa, Assessor da Casa Civil para assuntos de Ciência e Tecnologia, Marcelo Bechara, Assessor Jurídico do Minicom, Gerson Luiz de Almeida Silva, secretário Nacional de Articulação Social da Presidência, Diogo Santana, assessor da Casa Civil e Sylvio Kelsen Coelho, assessor da Secretaria de Comunicação Social. Participaram ainda a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), Jeronimo Guedes, representando o deputado Walter Pinheiro (PT-BA); Márcio Araújo, assessor da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e Luiz Liñares, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI). A confirmação da Conferência foi feita pelo Presidente Lula, durante o Fórum Social Mundial, em Belém.
Para Roseli Goffman, Coordenadora de Mobilização da Executiva do FNDC e representante do Fórum e do CFP na Comissão Pró-Conferência, o próximo passo é buscar junto ao Executivo “que a Comissão Organizadora seja plural e democrática para garantir esse caráter também à Conferência”. O FNDC defende a realização de uma Conferência tripartite, com a participação da sociedade e movimentos sociais, das empresas de comunicação e do Executivo.

Confirmação mobiliza FNDC

A confirmação da Conferência determinou mobilização das entidades nacionais e comitê regionais integrantes do FNDC, que se movimentam para defender um formato democrático. Conforme o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sérgio Murillo, a convocação resulta da pressão dos movimentos sociais que, apesar da ambigüidade do governo e da clara contrariedade de alguns setores, lutam por ela há muito tempo.
Ele destaca a atuação do FNDC nessa mobilização e espera que a Conferência siga os moldes propostos pelo Fórum, conforme apontam as resoluções da última Plenária da entidade (confira aqui). O ponto central, segundo ele, deve ser o envolvimento de toda sociedade para a construção de políticas públicas de comunicação. “Normalmente, esse debate é controlado por setores burocráticos do governo, pelo empresariado e pelo parlamento com participação bastante reduzida. A grande novidade é que a Conferência pode assegurar nessa discussão a participação social”, afirma.
Coordenadora do Comitê Regional do Rio Grande do Sul, a pedagoga Cláudia Cardoso, se disse surpresa com o anúncio da Conferência. “Mas uma surpresa muito agradável. Acho que realmente o presidente Lula ouviu o clamor da sociedade. Fomos ouvidos, depois de quase dois anos de reuniões, de debates”, afirma.
Cláudia espera ver na Conferência o debate sobre uma nova comunicação, abordando todas as transformações que o setor vem passando nos últimos 15 anos. “Se a gente conseguir debater isso, mostrar como a nossa legislação é anacrônica, atrasada, e tentar atualizá-la, sairemos felizes. Precisamos mostrar novos caminhos, um novo marco regulatório, um novo marco filosófico da comunicação no país, privilegiando a informação como um direito”, defende.
Segundo a Coordenadora, o Comitê gaúcho deve realizar encontros e seminários preparatórios para a Conferência. “O FNDC tem conhecimento, tem história, tem acúmulo para mostrar porque temos que discutir comunicação, qual é a importância dela no dia-a-dia das pessoas, o que ela define, o que ela não define. O FNDC pode oferecer para a sociedade brasileira uma discussão qualificada de porque discutir comunicação no país”, afirma.
Reconhecer o processo em curso

Na opinião de Rosane Bertotti, Secretária Nacional de comunicação da CUT, a realização da Conferência representa “uma conquista da nossa capacidade de argumentação e negociação. A partir do momento que o governo Lula diz que vai chamar a Conferência ele está reconhecendo a luta dos movimentos sociais”. Para ela, é preciso reconhecer o processo já construído e tê-lo como subsídio.
“A Conferência tem como tarefa fazer uma analise geral da realidade da comunicação no país, e a partir daí, produzir novas propostas, novas políticas públicas e reformular o marco regulatório das comunicações”, sustenta. Rosane ressalta ainda a importância do envolvimento dos governos municipais e estaduais para garantir o caráter democrático e massivo da Conferência. De acordo com a sindicalista, a CUT pretende fazer um grande debate sobre comunicação com os seus sindicatos.
A necessária participação dos setores público, privado e estatal no âmbito da comunicação também é destacada por Jonicael Cedraz, coordenador do Comitê FNDC da Bahia. “Vamos sentar juntos, os representantes dos poderes legislativo, executivo, os empresários e o nosso campo da sociedade civil para definir como garantir à sociedade brasileira, nos seus diferenciais, nos seus limites e contradições, práticas de comunicação democráticas”, observa.
Para Jonicael, a Conferência deve ter como foco principal a formulação de um novo marco regulatório, mas para isso também deve garantir que campos como o da educação sejam representados. “Devemos pensar a realidade brasileira, pensar a comunicação como uma forma de contribuir para a democracia em todos os meios”. O Coordenador baiano destaca a experiência do seu estado, que realizou uma conferência estadual de comunicação como um momento importante no país. No entanto, salienta que ela não deve ser tomada como base para a Conferência Nacional, pois, além de ter tido um caráter estritamente regional, “os movimentos sociais foram secundarizados nas discussões”. A Bahia deverá produzir novamente debates municipais e estaduais para se inserir na etapa nacional.
Participação de setores discriminados
De acordo com Sheila Tinoco , coordenadora de Comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), a Conferência responde ao clamor das entidades identificadas com a luta pela por uma comunicação mais democrática, tanto as diretamente ligadas ao setor como aquelas que incorporaram em suas pautas a importância da comunicação para construção de uma sociedade democrática. Para a Fenajufe, é fundamental também a participação de setores discriminados na sociedade, como negros, homoafetivos, mulheres, portadores de deficiências, trabalhadores sem-terras, sem-teto, entre outros.Como informa a coordenadora, a Fenajufe tem mobilizado seus sindicatos para a realização da Conferência. A entidade realizou no ano passado um encontro nacional sobre comunicação, firmando como resolução participar na luta nos âmbitos nacional e estaduais.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Resolução do Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação em Brasília, 02 de dezembro de 2008

Resolução do Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação

Brasília, 02 de dezembro de 2008

As organizações e pessoas presentes ao Encontro Pró-Conferência Nacional de Comunicação,

  • - com o respaldo das Comissões de Direitos Humanos e Minorias,
    Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e de Legislação Participativa;
  • - reconhecendo a ampla representatividade deste Encontro, expresso pelas 66 organizações e 250 pessoas presentes;
  • - considerando a legitimidade e maturidade alcançada pela proposta de realização da Conferência Nacional, já debatida em 15 unidades da Federação em eventos estaduais que totalizaram mais de 14.000 pessoas;
  • - considerando que todos os segmentos empresariais, profissionais e acadêmicos da área, além de movimentos e entidades sociais participaram ativamente desse processo, caracterizando- o como democrático e plural;
  • - considerando a existência de amplo consenso entre todos os envolvidos e interessados na área, bem como não ter ocorrido no processo preparatório nenhuma objeção de nenhum setor à realização da Conferência;
  • - tendo em vista a necessidade de dar início imediato ao processo de planejamento e mobilização para que se possa realizar todas as etapas em 2009;
  • - considerando a disponibilidade de recursos do Tesouro Nacional para essa finalidade previstos no Plano Plurianual, no Orçamento da União de 2008 e na proposta orçamentária de 2009;

Declaram seu compromisso de realização da I Conferência Nacional de Comunicação, a ser convocada pelo Governo Federal, por meio de Decreto Presidencial e constituição de Grupo de Trabalho por Portaria do Ministro das Comunicações, tendo as seguintes referências.

Quanto ao calendário:

  • 1) Edição de Decreto do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, convocando a Conferência, e Portaria Ministerial constituindo o Grupo de Trabalho até 31 de dezembro de 2008;
  • 2) Conferências municipais ou regionais e debates temáticos até 20 de maio de 2009;
  • 3) Conferências estaduais, com caráter deliberativo, para a eleição de delegados e debate e aprovação de propostas à Conferência Nacional: 1º de junho a 14 de agosto de 2009;
  • 4) Sistematização das propostas e publicação de subsídios: até 14 de setembro de 2009;
  • 5) Etapa nacional: 3, 4 e 5 de novembro de 2009, em Brasília.

Quanto às características e propósitos

1) Que a Conferência terá caráter amplo e democrático, abrangendo representações do Poder Executivo, do Poder Legislativo, da sociedade civil e dos empresários;

2) Que sua abrangência será nacional, devendo contemplar no mínimo etapas estaduais, nas quais haverá discussão do temário, apresentação de propostas e eleição de delegados à nacional.


Quanto aos objetivos

  • 1) Identificar os principais desafios relativos ao setor da comunicação no Brasil;
  • 2) Fazer um balanço das ações do poder público na área;
  • 3) Propor diretrizes para um novo marco regulatório e para as políticas públicas de comunicação;
  • 4) Apontar prioridades de ações governamentais dentro destas diretrizes;

5) Referenciar políticas públicas, planos e projetos de organizações da sociedade civil, de empresas, instituições de ensino e pesquisa e de profissionais atuantes em comunicação nas suas diversas formas,

Quanto ao formato:

1) Seu formato será definido pelo Grupo de Trabalho (GT) a ser constituído pela Portaria do Ministro das Comunicações, assegurada a participação de representantes do poder público e da sociedade civil, profissionais, empresários, movimentos e entidades sociais, designados pelos respectivos setores;

2) Caberá ao GT definir a metodologia, a estrutura, a organização, o calendário e os temas da Conferência, firmando-os em um Regimento Interno, e coordenar a Conferência até sua etapa nacional;

3) Caberá ao Governo Federal, pelas instâncias adequadas, criar uma comissão responsável pelos encaminhamentos deliberados pelo GT até a sua etapa nacional.

Quanto à proposta temática

1) A Conferência tratará da comunicação como direito humano, especialmente no que incide sobre a soberania nacional, a liberdade de expressão, a inclusão social, a diversidade étnico-racial, sexual, cultural, e religiosa e de gênero, a convergência tecnológica e a regionalização da produção;

2) Os debates serão organizados contemplando, entre outros, os seguintes eixos: a) Meios de Comunicação; b) Cadeia Produtiva; c) Sistemas de Comunicação.

Consideram-se Meios de Comunicação a televisão aberta, rádio, internet, telecomunicaçõ es por assinatura, cinema, mídia impressa e mercado editorial. A Cadeia Produtiva abrange os processos de produção, provimento, distribuição e recepção. Os Sistemas de Comunicação se agrupam nas categorias público, estatal e privado.


José Sóter

Brasília

sábado, 29 de novembro de 2008

Associação de rádio comunitária do Estado do Tocantins será criada

27/11/08 16h14

Raimunda Carvalho

Da Redação

A Associação Brasileira de Rádio Comunitária do Tocantins (Abraço) será criada no 6 de dezembro, às 19 horas, no auditório da Fecomércio. De acordo com o diretor artístico da Rádio Rio Verde FM de Araguaçu, Edimar Rodrigues da Silva, para participar do evento já está confirmada a presença do presidente da Abraço nacional, José Luiz do Nascimento Sóter.

Silva ressalvou que as rádios comunitárias são tratadas como um impedimento às rádios comerciais. “Os demais Estados da Federação já possuem uma Abraço, com exceção do Tocantins. Precisamos buscar parcerias que apõem a Rádio comunitária no Estado”, disse.

Para participar do evento também já confirmaram presença as 47 emissoras estaduais outorgadas pelo Ministério das Comunicações e as 32 em funcionamento com licença.